Dra. Michele FerreiraCRBM-SP 73936

Tratamento para cicatriz de acne

LED terapia na pele: para que serve e o que a ciência mostra?

Por Dra. Michele Ferreira, biomédica esteta, CRBM-SP 73936 · · 6 min de leitura

Resumo rápido

  • LED azul e vermelho atuam nas espinhas inflamadas; não tratam cravos, cistos nem nódulos, segundo a Academia Americana de Dermatologia.
  • A revisão Cochrane de 71 estudos concluiu que falta evidência de alta qualidade sobre terapias de luz na acne.
  • Pele morena ou com melasma merece cuidado extra: a luz visível, em especial a azul-violeta, pode pigmentar a pele.

A LED terapia é um apoio: as luzes azul e vermelha ajudam a acalmar espinhas inflamadas, e o LED também é usado na recuperação da pele após procedimentos e em protocolos de rejuvenescimento. A evidência existe, mas ainda é limitada e feita com estudos pequenos. Por isso, no consultório, o LED entra como fototerapia complementar dentro de um protocolo, e não como tratamento único.

O que é a LED terapia e como a luz age na pele?

LED terapia é a aplicação de luz de baixa intensidade, em cores (comprimentos de onda) específicas, sobre a pele. Não corta a pele e não usa radiação ultravioleta. O nome técnico mais amplo é fotobiomodulação: a ideia é que a luz, absorvida pelas células, estimule processos de reparo e module a inflamação.

  • Luz azul: estudada principalmente na acne inflamada.
  • Luz vermelha e infravermelho próximo: estudados em recuperação da pele, inflamação e sinais do envelhecimento.
  • Luz âmbar (amarela): aparece em estudos sobre vermelhidão após procedimentos.

LED azul para acne funciona?

Ajuda em parte da acne. A Academia Americana de Dermatologia (AAD) explica que os aparelhos de luz azul, vermelha e azul com vermelha tratam as espinhas inflamadas, mas não agem sobre cravos, cistos nem nódulos. Ou seja: quem tem acne com muitos cravos ou lesões profundas precisa de outro plano.

O que dizem as revisões:

  • A revisão Cochrane de 2016 reuniu 71 ensaios com 4.211 participantes. A maioria era pequena (mediana de 31 pessoas) e muito diferente entre si. A conclusão foi direta: falta evidência de alta qualidade sobre terapias de luz na acne.
  • Uma visão geral Cochrane de 2024, que avaliou revisões de tratamentos tópicos, fototerapia e terapias complementares, não encontrou evidência de alta certeza para nenhuma das terapias incluídas.
  • Uma metanálise de 2022 com 31 estudos encontrou efeito estatisticamente favorável das luzes azul e vermelha na acne. É um sinal positivo, mas soma estudos pequenos e com métodos variados.

Na prática, o LED pode somar ao protocolo de acne (limpeza de pele, peeling, home care). Remédio para acne, como antibiótico, isotretinoína ou hormônio, é sempre decisão do médico.

O que a evidência mostra, uso por uso?

UsoO que os estudos mostramForça da evidênciaFonte
Acne inflamada (azul, vermelha ou combinada)Ajuda nas espinhas; sem efeito em cravos, cistos e nódulosBaixa: 71 ensaios, mediana de 31 participantesCochrane 2016; AAD
Vermelhidão após laser fracionado (âmbar, 590 nm)Metade do rosto com LED ficou menos vermelha em 24 horas nos 20 pacientes; em 96 horas, sem diferençaFraca: um ensaio pequeno, meio rostoAlster e Wanitphakdeedecha, 2009
Rejuvenescimento (vermelho)Resultados de sutis a perceptíveis; num estudo, mais de 90% de 90 pacientes relataram alguma melhora após 8 sessões em 4 semanasFraca a moderada: melhora relatada pelo pacienteAAD
Risco de câncer (vermelho e infravermelho)Nenhum ensaio clínico ligou a fotobiomodulação a eventos adversos importantesRevisão sistemáticaGlass, 2023

LED vermelho serve para quê?

O LED vermelho é usado para apoiar a recuperação da pele e em protocolos voltados à pele 25+ e ao envelhecimento. A AAD descreve resultados de sutis a perceptíveis em linhas finas, textura e vermelhidão, e reforça um ponto importante: os dermatologistas costumam recomendar a luz vermelha como terapia complementar, somada a peeling, microagulhamento ou creme, e não sozinha.

A mesma página lembra que ainda não se sabe tudo: qual a dose ideal, por quanto tempo é seguro usar e quantas sessões são necessárias para cada queixa.

LED ajuda na recuperação depois de procedimentos e na cicatriz de acne?

Os estudos desse uso foram feitos depois de laser, procedimento que não faz parte do atendimento da Dra. Michele; para peeling e microagulhamento, a evidência é indireta. Num ensaio com 20 pacientes, a metade do rosto que recebeu LED âmbar logo após o laser fracionado ficou menos vermelha em 24 horas em todos eles; depois de 96 horas, os dois lados estavam iguais. A AAD também cita um estudo em que a luz vermelha no consultório, após laser, reduziu vermelhidão e inchaço.

É importante separar as coisas: o LED não é o tratamento da cicatriz em si. Quem trabalha a cicatriz de acne são procedimentos que estimulam colágeno, como o microagulhamento e os peelings. O LED pode entrar depois, como apoio ao conforto e à recuperação da pele.

LED terapia facial: quantas sessões são necessárias?

Não existe um número padrão. Nos ensaios reunidos pela Cochrane, o total de sessões variou de 1 a 112, mais comumente de 2 a 4, com frequências que iam de duas vezes por dia a uma vez por mês. A AAD observa que várias sessões dão resultado melhor que uma só e que a melhora costuma aparecer semanas depois da última. A quantidade no consultório depende da queixa e do protocolo, e é definida na avaliação individual.

LED em casa funciona?

Pode ajudar, com expectativa baixa. Os pontos que as fontes confirmam:

  • A AAD informa que a FDA (agência americana) liberou alguns aparelhos de LED para acne em casa, mas eles são menos potentes que os de consultório e tratam só espinhas.
  • Alguns desses aparelhos exigem uso de 30 a 60 minutos, duas vezes por dia, por 4 a 5 semanas.
  • Sobre a luz vermelha caseira, a AAD diz que é difícil saber o quanto funciona, mesmo com a liberação da FDA.
  • Uma revisão sistemática de 37 ensaios com aparelhos caseiros considerou o LED para acne uma opção com bom perfil de segurança, mas apontou falta de dados de longo prazo.

LED terapia é segura? Quem precisa de cuidado?

No curto prazo, a AAD considera a luz vermelha segura, com irritação leve e passageira em algumas pessoas. Mas há situações que pedem atenção:

  • Olhos: use a proteção indicada pelo fabricante ou pelo profissional, sempre. A AAD alerta para não trocar os óculos de proteção por óculos de sol.
  • Remédios fotossensibilizantes e doenças sensíveis à luz: a AAD cita o lúpus e medicamentos que aumentam a sensibilidade à luz como motivos para a luz vermelha poder não ser indicada.
  • Pele morena, negra ou com melasma: num estudo com 20 voluntários de fototipos IV a VI, a luz visível escureceu a pele de forma mais intensa e duradoura que o UVA1 (a faixa mais longa do ultravioleta A); feito à parte em pele de fototipo II, o mesmo teste não causou pigmentação. Outro estudo mostrou que a luz azul-violeta (415 nm) pigmentou a pele por até 3 meses, enquanto a vermelha (630 nm) não pigmentou. Esses testes foram feitos em pele saudável, não em pacientes com melasma usando LED, então não dá para afirmar que o LED piora o melasma. Por prudência, quem tem melasma só faz LED depois de avaliação, com a cor escolhida caso a caso, e mantém o protetor solar em dia.
  • Gestantes e lactantes: qualquer procedimento só com liberação do obstetra.

Como a LED terapia entra no atendimento da Dra. Michele?

A Dra. Michele Ferreira, biomédica esteta, usa a LED terapia como fototerapia complementar para acne inflamada e para a recuperação da pele após procedimentos, junto de limpeza de pele, peelings, microagulhamento e consultoria de skincare. O plano começa por uma avaliação individual, que define se o LED faz sentido para a sua pele e em que momento do protocolo. O atendimento acontece em 10 unidades em São Paulo e Santo André; veja a unidade mais perto de você.

Ficou com dúvida sobre a sua pele?

Toda indicação começa pela avaliação individual. Segunda a sábado, em horário comercial, somente com hora marcada.

Perguntas frequentes

LED azul para acne funciona?

Ajuda nas espinhas inflamadas, mas não em cravos, cistos ou nódulos. A Academia Americana de Dermatologia diz que a luz visível trata só as espinhas, e a revisão Cochrane de 2016 considerou a evidência sobre terapias de luz na acne de baixa qualidade, por isso o LED entra como complemento.

Para que serve o LED vermelho na pele?

É usado para apoiar a recuperação da pele e em protocolos de rejuvenescimento. A Academia Americana de Dermatologia descreve resultados de sutis a perceptíveis e recomenda a luz vermelha como terapia complementar, junto com outros tratamentos.

Quantas sessões de LED terapia facial são necessárias?

Não existe um número padronizado. Nos estudos reunidos pela Cochrane o total variou de 1 a 112 sessões, mais comumente de 2 a 4, e a quantidade no consultório é definida na avaliação individual.

LED em casa funciona?

Pode ajudar, mas é menos potente que o aparelho de consultório. A Academia Americana de Dermatologia informa que alguns aparelhos caseiros para acne exigem 30 a 60 minutos, duas vezes por dia, por 4 a 5 semanas, e que é difícil saber o quanto funcionam.

Quem tem melasma pode fazer LED?

Só depois de avaliação. Estudos mostram que a luz visível, sobretudo a azul-violeta, pode escurecer a pele de fototipos mais altos; não há estudo sobre LED em melasma que confirme segurança, então a escolha da cor e a indicação são feitas caso a caso.

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