Dra. Michele FerreiraCRBM-SP 73936

Tratamento para manchas

Peeling químico: tipos, ácidos, quanto tempo descasca e cuidados antes e depois

Por Dra. Michele Ferreira, biomédica esteta, CRBM-SP 73936 · · 11 min de leitura

Resumo rápido

  • Peeling químico é a aplicação de um ácido que provoca uma descamação controlada; quanto mais fundo ele age, maior a descamação e mais longa a recuperação.
  • No superficial, a pele fica vermelha por 1 a 3 dias, descama por 3 a 7 dias e costuma estar refeita em 7 a 10 dias; bolha, crosta, dor crescente ou mancha escurecendo pedem contato antes do retorno.
  • Em pele morena e negra, as revisões apontam os superficiais como a opção mais segura, com concentração baixa no começo, preparo e intervalo maior. A profundidade certa para você é definida na avaliação individual.

Peeling químico é a aplicação de um ácido na pele para provocar uma descamação controlada, numa profundidade escolhida. Quanto mais fundo o ácido age, maior a descamação e mais longa a recuperação: no peeling superficial a pele costuma se refazer em poucos dias; no médio, a cicatrização leva de uma a duas semanas. O cuidado que mais pesa, antes e depois, é o mesmo: nada de sol na pele sensibilizada e fotoproteção todos os dias.

Este texto trata sobretudo dos peelings superficiais, usados em estética para manchas, textura e marcas de acne. A profundidade certa para cada pele é definida na avaliação individual.

Como funciona o peeling químico?

O ácido causa uma lesão controlada; a pele elimina a parte atingida e forma tecido novo no lugar. Uma revisão da Universidade de Stanford (Soleymani, 2018) descreve o peeling como uma forma de atingir a profundidade desejada de maneira rápida, previsível e uniforme. Uma revisão italiana (Fabbrocini, 2009) acrescenta que, além de renovar a camada de cima, o processo estimula a remodelação do colágeno e das fibras elásticas na derme.

Quais são os tipos de peeling: superficial, médio e profundo?

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divide os peelings em superficial, médio e profundo. Os superficiais são feitos em séries, com descamação fina; os médios e profundos, em aplicação única.

ProfundidadeAté onde ageExemplos de ácidosDescamação e recuperação
SuperficialEpiderme (camada mais externa)Glicólico 30 a 50%, lático 10 a 30%, mandélico 40%, salicílico 30%, pirúvico 50%Pele se refaz em 1 a 4 dias (SBD); vermelhidão seguida de descamação de 3 a 7 dias (AAD); reepitelização completa em 7 a 10 dias, ou 3 a 5 dias com mandélico (Soleymani)
MédioAté a derme papilarGlicólico 70%, ácido tricloroacético (ATA) 35 a 50%, com ou sem solução de JessnerCicatrização completa em 7 a 15 dias (SBD); inchaço que piora nas primeiras 48 horas, crostas e descamação em 7 a 14 dias (AAD)
ProfundoAté a derme reticular médiaATA acima de 50% e fenolReepitelização começa no 3º ou 4º dia e segue por 14 dias ou mais (Soleymani); 14 a 21 dias, com curativo (AAD)

Fontes: Soleymani, 2018; SBD; AAD.

O peeling profundo, com fenol, é procedimento médico, com indicações e cuidados específicos. O médio também pede avaliação cuidadosa, principalmente em pele morena e negra, como você vai ver mais abaixo.

Quais ácidos são mais usados no peeling e para quê?

Cada ácido se comporta de um jeito; a escolha depende do objetivo e do tipo de pele.

ÁcidoOnde costuma entrarIndicação principal nos estudosObservação
GlicólicoSuperficial (30 a 50%)Manchas superficiais, fotoenvelhecimento leve a moderado e linhas finas; frequentemente a primeira escolha para melasmaNão se neutraliza sozinho: a ação continua enquanto o ácido está na pele, por isso o tempo de contato é controlado
SalicílicoSuperficial (20 a 30%)Acne comedônica e inflamatória leve a moderada; na concentração de 30%, é considerado o padrão de referência entre os superficiais para acneDissolve na oleosidade e entra no poro; se neutraliza sozinho e deixa um pó branco na pele, que não é queimadura
MandélicoSuperficial (40%)Vermelhidão superficial, alterações de cor e excesso de oleosidadePenetra de forma mais uniforme; a pele se refaz em 3 a 5 dias, o que permite intervalos menores entre sessões
LáticoSuperficialFotoenvelhecimento, manchas superficiais e linhas finas, com resultado comparável ao do glicólicoTem efeito umectante (ajuda a reter água na pele)
Retinoico (tretinoína)Muito superficial (1 a 5%)Não detalhada nas fontes consultadasPeeling amarelo que fica na pele por 4 a 5 horas e depois é lavado; a tretinoína é medicamento, e o uso em casa depende de prescrição médica
Solução de JessnerSuperficial; também usada antes do ATA no peeling médioAcne, em estudos comparados ao salicílicoMistura de salicílico, resorcina e lático em álcool; num estudo com acne, deixou manchas pós-inflamatórias em 20% dos pacientes, contra 5% com salicílico 30%
Ácido tricloroacético (ATA)Superficial em 10 a 30%; médio em 35 a 50%Referência histórica do peeling médio; em concentração baixa, foi comparado ao glicólico no melasmaConcentrações altas têm risco relativamente alto de alteração de cor, cicatriz, infecção e reativação do herpes

Fontes: Soleymani, 2018; Khunger, 2008; Harnchoowong, 2024.

Quanto tempo descasca o peeling?

Depende da profundidade. No superficial, a Academia Americana de Dermatologia (AAD) descreve primeiro uma vermelhidão e, quando ela passa, uma descamação que dura de 3 a 7 dias. No médio, a pele fica vermelha e inchada, pode formar crostas e descama ao longo de 7 a 14 dias.

As diretrizes indianas de peeling (Khunger, 2008) dão uma faixa parecida para vermelhidão, inchaço e descamação: 1 a 3 dias nos superficiais e 5 a 10 dias nos mais profundos. Descamar pouco não quer dizer que o peeling falhou: justamente por serem suaves, os superficiais são feitos em séries, e o acompanhamento é pelo protocolo inteiro.

Como é a recuperação do peeling superficial, dia a dia?

As faixas abaixo são médias das fontes; a sua pele pode andar um pouco mais rápido ou mais devagar.

FaseO que costuma ser normalFonte
Durante e logo depois da aplicaçãoArdor, coceira leve e vermelhidão; no glicólico, o sinal para interromper a aplicação é uma vermelhidão leveSoleymani, 2018; Harnchoowong, 2024
Dias 1 a 3Vermelhidão e inchaço discretos, que vão cedendoKhunger, 2008
Depois que a vermelhidão passaDescamação fina, por 3 a 7 dias, às vezes só sensação de pele repuxadaAAD
Dias 3 a 5Com mandélico, a pele costuma já estar refeitaSoleymani, 2018
Dias 7 a 10Pele totalmente refeita (reepitelização) na maioria dos superficiaisSoleymani, 2018

Quais cuidados ter depois do peeling?

  • Não arrancar a pele que está soltando. A AAD alerta que esfregar ou coçar a pele tratada pode causar infecção, e a diretriz de Khunger orienta não puxar nem coçar.
  • Nada de sol até a pele se recuperar. Para o peeling médio, a AAD pede evitar totalmente o sol até a cicatrização; para o profundo, de 3 a 6 meses.
  • Protetor solar todos os dias. A SBD chama a proteção solar adequada de imprescindível.
  • Hidratante simples. A diretriz de Khunger recomenda protetor de amplo espectro e apenas hidratantes suaves até a descamação terminar.

Quais sinais pedem retorno antes da data marcada?

Se algum destes sinais aparecer, avise a profissional que fez o peeling sem esperar o retorno. Alguns pedem avaliação médica.

  • Bolha ou pele com aspecto branco-acinzentado. A diretriz de Khunger descreve isso como sinal de que o ácido foi além do previsto, e a revisão de Harnchoowong lista bolhas e branqueamento entre os sinais indesejados no glicólico.
  • Ardor, coceira ou inchaço que incomodam. É exatamente a situação em que a AAD orienta procurar quem fez o procedimento.
  • Crosta, secreção ou dor que aumenta em vez de diminuir. Infecção bacteriana, fúngica ou viral está na lista de complicações das duas diretrizes. Crostas são descritas no peeling médio, não no superficial.
  • Bolhinhas agrupadas perto da boca. A reativação do herpes está entre as complicações descritas por Soleymani, e o tratamento é médico.
  • Mancha escurecendo. Num estudo com pele muito pigmentada citado por Harnchoowong, o escurecimento apareceu entre 7 e 14 dias depois do peeling. Quanto antes for avaliado, melhor.
  • Vermelhidão que passa de 3 semanas. Para a diretriz de Khunger, é indício de cicatriz no início e precisa de tratamento.

Por que preparar a pele antes do peeling?

Porque o preparo reduz risco. A diretriz de Khunger considera essencial preparar a pele por 2 a 4 semanas antes, com protetor solar e ativos tópicos, e lista os motivos: reduz o tempo de cicatrização, faz o ácido penetrar de forma mais uniforme, revela intolerância a algum produto antes da sessão e diminui o risco de complicações.

Em pele mais pigmentada, o risco que mais pesa é a hiperpigmentação pós-inflamatória: manchas escuras que surgem depois de uma inflamação. A mesma diretriz descreve essas alterações de cor como muitas vezes persistentes e difíceis de tratar.

No protocolo de melasma da Dra. Michele, esse cuidado faz parte do método: a pele é preparada antes do peeling, o peeling é escolhido para o tipo de pele e a fase do tratamento, e há home care e retornos entre as sessões.

Peeling em pele morena e negra é seguro?

Os superficiais, sim, com os cuidados certos; os mais profundos pedem muito mais cautela. Uma revisão tailandesa sobre procedimentos em pele escura (Harnchoowong, 2024) resume assim: peelings superficiais podem ser feitos com segurança, o médio deve ser usado com extrema cautela e o profundo deve ser evitado. O motivo: a pele mais pigmentada tende a irritar mais, e a irritação vira mancha com mais facilidade. A AAD concorda: pele negra, parda ou asiática pode fazer peeling com profissional experiente nesse tipo de pele; sem esse cuidado, a alteração de pigmento pode ser permanente.

A mesma revisão cita uma compilação de estudos em pele morena e negra (Sarkar) que dá ao glicólico o nível mais alto de recomendação, e ao lático, ao salicílico, ao ATA e à solução de Jessner um nível intermediário. Mesmo os superficiais não estão livres de reação: num estudo com salicílico de 20 a 30% em pele muito pigmentada, 16% dos pacientes tiveram alteração de cor depois do peeling. Por isso as recomendações para essa pele são:

  • começar com concentração baixa e subir aos poucos, de sessão em sessão;
  • preparar a pele antes, por pelo menos duas semanas;
  • espaçar mais as sessões;
  • cuidar do pós com rigor, com proteção solar diária e sem exposição ao sol.

Uma limitação honesta: essa pele ainda é pouco estudada. Uma revisão de escopo de 2026 (Garelick) encontrou 473 estudos sobre peeling e só 7 que relatavam resultados em fototipos IV a VI, a maioria com poucos pacientes e acompanhamento curto.

Quantas sessões e qual intervalo entre elas?

Varia com o ácido e a profundidade. A diretriz de Khunger descreve os muito superficiais repetidos a cada 1 a 2 semanas e os superficiais a cada 2 a 4 semanas. Em pele escura, a revisão de Harnchoowong recomenda intervalos mais longos.

No melasma, vale saber que parar o tratamento tem custo. Num estudo retrospectivo com 40 pacientes de pele IV a VI tratados com glicólico seguido de ATA (Maruma, 2025), o melasma melhorou em 12 semanas, mas voltou em 70% dos casos até 12 semanas depois de interromper. É por isso que o melasma é tratado como condição crônica, com manutenção e home care, e não como algo que termina quando acabam as sessões.

Quem não deve fazer peeling (ou deve esperar)?

  • Quem usou isotretinoína recentemente. A diretriz de Khunger contraindica peelings médios e profundos para quem usou isotretinoína nos últimos seis meses. Informe qualquer uso na avaliação.
  • Herpes ativo ou outra infecção na área. Infecção bacteriana, viral, fúngica ou herpética ativa é contraindicação. Para quem tem histórico de herpes labial, Soleymani descreve antiviral preventivo, prescrito por médico, começando 1 a 2 dias antes e mantido até a pele se refazer.
  • Gestação e amamentação. A SBD inclui a gravidez entre as situações em que o peeling não deve ser feito. Uma revisão de 2017 (Trivedi) considera glicólico e lático seguros, mas pede evitar ou usar com cautela o ATA e o salicílico. Nessa fase, qualquer procedimento só com liberação do obstetra; na dúvida, a orientação é esperar.
  • Pele irritada ou com ferida. Feridas abertas, dermatite atópica ou psoríase na área e uso de medicamentos que sensibilizam a pele ao sol também estão na lista de Khunger. A SBD acrescenta o hábito de cutucar a pele e períodos de estresse físico e mental.
  • Tendência a queloide. Pesa contra os peelings médios e profundos.

Pode fazer peeling no verão?

Nenhuma das fontes consultadas proíbe o peeling por estação do ano. O que elas exigem é outra coisa: a SBD diz que o peeling não deve ser feito se houver exposição solar, e a AAD pede evitar totalmente o sol até a cicatrização no peeling médio. Ou seja, a questão não é o mês, é a sua rotina.

No verão esse cuidado fica mais difícil de cumprir. A diretriz de Khunger inclui a ocupação e o grau de exposição solar na avaliação antes do peeling. Se você tem viagem para a praia marcada ou trabalha exposta ao sol, isso entra no planejamento e pode mudar o tipo de peeling ou a data.

Peeling ou microagulhamento: qual escolher?

Depende do objetivo, porque o mecanismo é diferente: o peeling remove de forma controlada as camadas de cima da pele; o microagulhamento faz microlesões sem remover a superfície, e a cicatrização estimula colágeno novo. Qual faz mais sentido para a sua queixa se decide na avaliação. Como o microagulhamento funciona e os cuidados depois dele estão no post sobre microagulhamento.

Como é definido o peeling de cada pessoa?

Na avaliação individual. Peelings médios e profundos têm mais risco e indicações próprias, e o profundo, com fenol, é procedimento médico: quando o caso pede mais do que um peeling superficial, a avaliação indica o encaminhamento. Ali entram o objetivo (manchas, textura, marcas de acne, sinais de envelhecimento da pele), o tom da sua pele, o histórico de manchas depois de inflamações, os medicamentos em uso e a sua rotina de sol. Com isso se escolhem o ácido, a concentração, o preparo e o intervalo entre as sessões. Veja os procedimentos e as unidades em São Paulo e Santo André para marcar a sua avaliação.

Ficou com dúvida sobre a sua pele?

Toda indicação começa pela avaliação individual. Segunda a sábado, em horário comercial, somente com hora marcada.

Perguntas frequentes

Posso tirar a pele que está soltando depois do peeling?

Não. A Academia Americana de Dermatologia alerta que esfregar ou coçar a pele tratada pode causar infecção, e as diretrizes de peeling orientam não puxar nem coçar. A pele deve sair sozinha, com hidratante simples e protetor solar.

Se a pele quase não descascou, o peeling não funcionou?

Não necessariamente. No peeling superficial a descamação costuma ser fina, às vezes parecida com pele ressecada. A SBD explica que os superficiais precisam ser feitos em séries, por isso o acompanhamento é pelo protocolo inteiro, não por uma sessão.

Quantas sessões de peeling superficial costumam ser feitas?

A Academia Americana de Dermatologia fala em 3 a 5 peelings leves, repetidos a cada 2 a 5 semanas. É uma referência, não uma regra: o número depende do objetivo, da resposta da sua pele e da manutenção, e é revisto a cada retorno.

Quem usou isotretinoína pode fazer peeling?

As diretrizes indianas de peeling (Khunger, 2008) contraindicam peelings médios e profundos para quem usou isotretinoína nos últimos seis meses. Informe qualquer uso na avaliação, mesmo que já tenha terminado o tratamento.

Grávida pode fazer peeling?

A orientação é conversar antes e, na dúvida, esperar. A SBD coloca a gravidez entre as situações em que o peeling não deve ser feito, e uma revisão de 2017 sobre procedimentos na gestação só considera seguros o glicólico e o lático. Qualquer procedimento nessa fase depende da liberação do obstetra.

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